Retiro Holístico de Saúde e Jejum
Moinhos Velhos

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Jejum de Sumos para Purificação e Desintoxicação

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Artigo do jornal "The Santa Fe New Mexican" 21 November, 2004
Por: Judith Fein

 

Duas semanas de negação - Umas férias purificantes num spa levam um viajante a reluzir de saúde e outro a sentir-se tonto e sem forças.

 

Ele recusou-se inteiramente a ir. Eu não vou viajar para a capital gastronómica da Europa para viver de sumos e enfiar um tubo pelo meu traseiro acima!... disse ele, com a força de Vesúvio.

Mas as estrelas de cinema estão a fazê-lo... Pessoas interessadas em saúde e yoga e espiritualidade estão a fazê-lo... eu disse, tentando ser convincente. Dá um descanso aos nossos orgãos. Purifica o corpo. Pode até curar doenças. Aposto que até aumenta os salários e a velocidade de ligação de acesso á internet. É uma nova maneira de passar férias - faz sentido.

Lê os meus lábios, respondeu ele. Não!

Por favor... iria significar muito para mim se fosses comigo.

Pausa. Atenuação. Um brilho de possibilidade no seu olho esquerdo. E depois, com um suspiro de resignação, ele concordou. O meu marido, Paul, disse que me ia acompanhar até á maravilhosa região do Algarve, no sul de Portugal, para fazer um programa de duas semanas de jejum de sumos num Retiro de Saúde e Desintoxicação.

Mas, eu provavelmente irei pular a cerca e fugir até um restaurante todas as noites, ele acrescentou.

Moinhos Velhos é legendário na Europa, e de duas em duas semanas 15 pessoa viajam para Faro, Portugal, onde são recolhidas no aeroporto e levadas para a terra dos sumos, que fica situada num vale verde e viçoso e totalmente isolado. Eu mal podia esperar para nutrir o meu corpo e a minha alma, mas o Paul já tinha perdido um quarto dos seus dentes de tanto os cerrar.

O Retiro Moinhos Velhos pertence a dois Terapeutas Alternativos Noroegueses: Frank Jensen e Anne Karine Moss. Nos seus 70 e alguns anos, Frank é uma força da Natureza que ensina yoga pela manhã, todos os dias, testa todos os músculos de todos os participantes e liga toda a gente á última novidade nas máquinas de corpo-mente: o Quantum QXCI, que completa 8.500 análises em cerca de 3 minutos e supostamente repara muitas coisas que são precisas reparar em qualquer corpo que tenha imperfeições.

Anne-Karine usa a mais antiga máquina Bicom, que quebra tecido de cicatriz e mantém a energia a fluir correctamente. Ela também supervisiona a maravilhosa estufa orgânica e espectaculares jardins, e toma conta dos processos de cura e espiritualidade.

Os outros participantes no nosso programa são, na maioria, mulheres Inglesas, que são umas queridas mas pensam que estão com peso a mais, e um homem de negócios de sucesso, vindo da Holanda, que está a passar por uma fase da meia-idade que o fez desejar mudar de vida.

As instalações - em cabines privadas - são básicas mas confortáveis, sem floreados.

E a rotina era simples. Levantar ás 6h45, beber água com sumo de limão, fazer yoga e meditação no palácio de vidro, beber sumo de fruta três vezes ao dia, e caldo de vegetais á noite, engolir um monte de suplementos: argila bentonite, cascas de psyllium, enzimas pancreáticas, niacina (para um bronzeado instantâneo) e chompers, que ajudam na libertação, pelas portas traseiras, de toxinas acumuladas no nosso sistema digestivo.

 

 

Por entre massagens, sessões curativas, passeios facultativos, viagens turísticas, uma piscina sem cloro, sauna e um ritual arcaico da sanita chamado clysmatic, que é um tipo de clister. Eu nunca cheguei a dominar bem essa parte. Acabei por andar á luta com um tanque de água, um tubo, uma vara e não me peçam mais detalhes.

Os primeiros dias passaram depressa e, cheios de suplementos, quase todos os participantes estavam maravilhados com o facto de nunca se sentirem com fome.

Eu, todavia, apenas conseguia tolerar alguns suplementos, e era a que estava mais esfomeada. Estava sempre a deitar um olho ás suculentas laranjas e ás mangas que cresciam na estufa, cobiçava os vegetais que os cozinheiros removiam do caldo, e comecei a perceber o que é que desperta o canibalismo.

Consegui esquecer a minha barriga vazia quando a Cha Cha me deu uma massagem Thai e a Grace me fez um tratamento de Reflexologia nas solas dos meus pés e depois girou à volta da minha cabeça algo que mais parecia uma varinha mágica feita de ímans e que me fez adormecer num sono profundo e sem fome em cima na mesa dela.

Ao terceiro dia, enquanto o Paul estava a saltar da cama para ir beber a água com limão e fazer yoga, eu nem sequer ouvi o sino do despertar.

Sempre que ia ter com os outros para o pequeno-almoço de sumo de laranja, eu verificava que o grande assunto de todas as conversas eram os nossos intestinos. "Hoje é mole?" "Quantas vezes fizeste?" "Precisaste de usar o clysmatic mais do uma vez?" A minha mente estava ciente de que desintoxicar é bom para nós, mas, o meu estômago chorava: "Comida; comida."

Alguns participantes estavam com falta de energia, mas a maior parte estava a sentir-se normal. O Frank fez o teste dos músculos a todos e aumentou a dose de suplementos. A minha teve de ser diminuida porque eu estava, desconcentrada, tonta e confusa. Tentei ler e provavelmente bati o record mundial para o maior número de vezes (mais de 211) que alguém leu uma frase sem a compreender.

 

 

Enquanto eu fiquei deitada na cama a olhar para o tecto, o Paul juntou-se aos outros para um passeio á volta da espectacular Barragem da Bravura, onde os Moinhos Velhos se encontram. Há dois anos atrás, um terrível incêndio, queimou hectares e hectares de floresta mas, como por milagre, os Moinhos Velhos escaparam. Devem ter sido os Grandes Espíritos que queriam que os clientes dos Moinhos Velhos continuassem a disfrutar dos seus tratamentos.

De manhã, em yoga, no quarto dia, fiquei espantada ao ver como todos estavam muito mais flexíveis. Alguns estavam a fazer pinos enquanto que eu me tornava um pequeno Gumby. O Frank e a Anne Karine eram maravilhosos, e se houvesse um assunto em que eu mostrasse interesse - como geometria sagrada - Anne Karine produzia uma série de livros para eu ler. Eu simplesmente adorei ler a primeira frase de muitos livros, outra e outra e outra vez de seguida.

Okka fez-me uma leitura astrológica e aprendi a usar o zap, um aparelho que se usa para limpar o corpo de parasitas. O Frank, anunciou depois de me ter ligado ao Quantum XRROID, que o meu processo de cura era dos mais rápidos que ele já viu.

Frank, eu confessei, eu tenho fome e sinto-me tonta. Pode ser do açucar nos sumos. Todos os outros parecem estar bem. O Paul está a sentir-se magnífico. O estômago dele está a encolher a olhos vistos. Quando ele se vira de lado, eu vejo uma tábua. Mas, eu não penso que consigo fazer isto até ao fim. Já alguma vez alguém desistiu de fazer o jejum? Não... foi a sua resposta.

Fui ter com as mulheres Inglesas que se deitavam á volta da piscina durante o dia todo, á espera dos seus tratamentos. Fiz montes de perguntas a cada uma delas: Tens fome? Sentes-te tonta? Não. Todas estavam bem.

Conversávamos constantemente acerca dos nossos intestinos, e agora esse parecia-me ser o tema de conversa mais normal do mundo. Quero dizer, porquê incomodarmo-nos a falar de política, filmes ou filosofia quando podemos descrever anticos intermináveis dos nossos intestinos?

Mas, secretamente, eu estava preocupada que não conseguisse completar o jejum. O Paul foi compreensivo e disse-me que se eu não me estava a sentir bem, então devia seguir o meu instinto. Afinal, não era isso mesmo que estávamos a aprender nos Moinhos Velhos? A ouvir o nosso corpo?

No sexto dia, eu arrestei o meu corpo até ao cimo do monte desde a minha cabana até ao palácio de yoga, onde uma das mulheres estava a fazer jogging. Os outros estavam a rir e bem dispostos. O Paul estava a sair-se mesmo muito bem.

Discretamente, disse ao Frank e á Anne Karine que precisava de comer. E depois disso, como um carro que fica sem gasolina, eu desisti. Fui graciosamente convidada a juntar-me a eles e ao resto do staff para partilhar as suas refeições.

Eles insistiram para que eu quebrasse o jejum de maneira segura. Comecei por comer alguma fruta. A papaia era divinamente deliciosa. Mastiguei cada pedaço umas vinte vezes para os fazer durar.

Nos dias 7 e 8, o Frank testou os nossos músculos e deu essências de flores indicadas para cada um de nós. E também formulou remédios personalizados receitados pela máquina Quantum.

Os líquidos vêm em garrafinhas azuis com conta-gotas e temos que os pôr nas nossas línguas. Eu preferia não comentar muito sobre o facto de eu ter começado a comer, mas as miúdas Inglesas queriam sempre saber o que é que eu tinha comido a cada refeição. Eu tentava esquivar-me da conversa. Murmurava qualquer coisa sobre arroz e vegetais e não me atrevia a dizer como era tudo tão delicioso.

Embora me sentisse bem, estava cheia de remorsos por ter desistido. Os outros tinham todos as bochechas rosadas da desintoxicação, e eu estava pálida de tanta culpa.

No dia 9, o Paul saltou para cima da balança e descobriu que tinha perdido mais de seis quilos. Ele estava em tão boa forma que começou a receber mensagens do interior do seu ser acerca da sua saúde e do seu trabalho. Sentia-se totalmente inspirado. Isto nunca lhe tinha acontecido antes.

 

 

Estavam todos ansiosos porque só tinham que fazer mais um dia de jejum. Depois disso, iriam começar a quebrar o jejum muito, muito lentamente. Pelo lado espiritual, as mentes de todos estavam a acalmar, as respirações eram mais regulares e uma certa paz reinava no Vale da Fome.

No décimo dia, eu e o Paul fomos a Lagos, a cidade mais perto. Visitámos o que resta do primeiro mercado de escravos da Europa e visitámos um museu fascinante de artefactos Celticos e Romanos e uma igreja de estilo barroco. Á hora do almoço, eu fui a um restaurante para comer sardinhas assadas á Portuguesa, que estavam divinas, e o Paul foi a um bar de sumos naturais e deliciou-se com um sumo Tutti-Frutti - um cocktail de várias frutas.

Á noite, todos estavam felizes e até eufóricos com as conversas acerca do facto de irem começar a comer sólidos no dia seguinte. Os tratamentos desse dia tinham sido especialmente relaxantes. Okka trabalhou nos meus pés e a Grace magnetizou-me novamente. Sentia o meu cérebro como se estivesse a mexer-se, a balançar-se a si próprio. Será que eu teria conseguido completar o jejum? Seria eu uma cobarde?

No dia 11, depois de comer com o staff, sentei-me na sala de jantar para observar os outros a quebrar o jejum. Tinham um prato de fruta em frente a eles e serviam-se de bocadinhos modestos. Estavam a ser cuidadosos e a seguir as instruções de como quebrar um jejum de líquidos.

No dia 12, perguntei a todos o que é que tinham achado do jejum. Todos disseram que tinham sido umas férias fabulosas. Tinham perdido peso, tirado um tempo fora das suas rotinas de que precisavam desesperadamente, e tinham decidido viver e comer de maneira mais saudável. Serviu para iluminar as suas consciências acerca dos seus corpos e da sua saúde. Continuaram a comer com cuidado mas a quantidade ia aumentando lentamente.

No dia 13, fizemos um jantar de despedida: tempeh marinado, beterrabas, queijo gratinado, salada e até uma mousse de chocolate para sobremesa.

Todos contribuímos para comprar um presente para o staff e havia imensa boa disposição no ar. Eu dei os meus sinceros parabéns a todos por terem completado o jejum - do fundo do coração. Estar no Algarve, um paraíso de sabores, e ter disciplina suficiente para fazer um jejum e uma desintoxicação - foi um enorme feito da parte de todos os participantes.

No dia 14, voltámos todos para casa. Parecia o fim de um campo de férias onde todos trocam e-mails e abraços. Quando eu e o Paul ficámos sozinhos, eu disse-lhe que não me sentia um fracasso absoluto. Pelo contrário. Fiz jejum durante 5 dias, e, para mim, isso foi um grande feito.

 

 

 

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