Duas semanas fora deste mundo. Não há televisão nem rede de telemóvel, hamburgueres ou batatas fritas, trânsito, stress ou poluição. Na herdade dos Moinhos Velhos, num vale escondido junto á Barragem da Bravura, a norte de Lagos, a realidade é bem diferente daquela com que lidamos todos os dias. Aqui, neste Algarve tão distante do Algarve turístico, onde só se chega por um troço de terra batida, propõe-se um retiro para renovar o corpo e a mente. Desintoxicar o organismo, através de uma dieta líquida de sumos é o segredo deste lugar. Como complemento desta procura de bem-estar existem os tratamentos de medicinas alternativas, yoga e meditação.
O cenário não podia ser melhor: em volta só se vê o verde da vegetação intensa, o azul do céu e os pássaros que por ali andam a cantar o dia inteiro. Uma piscina de água salgada faz as delícias dos hóspedes nos tempos livres e nas horas quentes de verão. Neste espaço ninguém se atropela nem tem de disputar centrímetros de água para dar uma braçada. Os Moinhos Velhos apenas recebem até um máximo de 14 pessoas de cada vez e calma é a palavra de ordem - seja dentro da estrutura envidraçada onde se fazem as aulas de yoga, à mesa nas horas das refeições ou pelos caminhos entre os quartos e os bungalows de madeira que servem de alojamento. Não terá sido por acaso que este lugar foi eleito pelo Sunday Times como o melhor spa de jejum, yoga e meditação do mundo. Um pequeno paraíso, ao alcance de quem estiver disposto a dispensar umas férias gastronómicas e a abrir os cordões á bolsa.

Limpar o organismo de todas toxinas acumuladas no dia-a-dia é o objectivo príncipal do jejum, mas esta abstinência pode também ajudar a resolver problemas de saúde como alergias, doenças do fígado, dos rins, entre muitas outras. Os Noroegueses Frank e Anne-Karine Moss, há 12 anos os anfitriões dos Moinhos Velhos, acreditam que uma dieta de sumos é muito mais benéfica do que uma de água.
Os hóspedes aproveitam os dias para actividades como caminhadas pela praia e pelas redondezas, sessões de natação, de sauna e ainda dos vários tratamentos disponíveis (reiki, homeopatia, reflexologia, kineosologia, etc).
O jejum de sumos (com frutos e vegetais cultivados organicamente), é complementado com muita água durante todo o dia, comprimidos de ervas, pós que funcionam como excretores de toxinas e ainda dois clisteres diários para limpar os intestinos. Garante quem já experimentou que este jejum não custa tanto como á primeira vista pode parecer. Mais: diz quem por lá passou que nunca se sente a fome a apertar.

Afinal, os dias nos Moinhos Velhos têm um horário bem definido, de forma a melhor controlar a cura. É logo ás 7h da manhã que se acordam os hóspedes e meia hora depois já estão todos reunidos na sala de refeições para tomarem chá de limão. A bebida certa antes dos exercícios matinais de respiração (pranayama) e meditação, ás 7h30, e de uma aula de yoga ás 8h.
Ás 10h bebe-se o primeiro sumo (de laranja), a que são adicionados os pós excretores de toxinas. Depois, como em todos os intervalos, há tempo livre para dar um mergulho na piscina ou fazer uma das terapias disponíveis (previamente agendadas). Ás 11h30, tomam-se as primeiras vitaminas e as ervas e é tempo de se fazer o primeiro clister. O segundo sumo (de fruta) com pós é bebido ás 13h. Uma hora e meia depois é altura de voltar ás vitaminas e ás ervas. O terceiro sumo (de vegetais) com pós bebe-se às 16h. A terceira dose de vitaminas e ervas, tal como o segundo clister, está marcada para as 17h30.
O caldo em que se ferveram vegetais é a bebida das 19h e, meia hora depois, tomam-se mais vitaminas e ervas. Ás 20h, os hóspedes têm uma nova sessão de meditação, antes de darem por terminado o dia.
Um ritual que se repete durante duas semanas (existe a possibilidade de fazer curas de apenas dez dias ou de uma semana, mas são sempre aconselhados os quinze dias para um efeito mais consistente e duradouro). Os tratamentos iniciam-se sempre a um Sábado e 11 dias depois os hóspedes começam a readaptação aos alimentos sólidos. É o sinal de que se está a voltar à vida real. Mas uma coisa é certa: depois de uma estadia nos Moinhos Velhos, o mundo lá fora vai parecer outro.

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