1º Dia
Chego ás 9 horas da noite a Lagos, Karuna está á minha espera com um letreiro. Quando deixamos a cidade, a noite é demasiado escura para ver o caminho que fazemos. Fiz as últimas chamadas: a partir de agora os telemóveis estão mortos. Ainda chego a tempo da sopa, o último alimento sólido nos próximos dez dias. Tânia, a nossa maravilhosa cozinheira, Shakti, que também integra a equipa da casa, mas vai fazer o programa, e Lalita dão-me as boas vindas. Desta vez, dizem-me, o grupo é só mulheres, o que é raríssimo, porque os homens, cada vez mais, têm aderido a este espaço. A sensação é de irrealidade. "No que é que me fui meter?"
2º Dia
O nosso grupo é pequeno. Seis mulheres. Oshun, uma negra magnífica, poderosa imagem de deusa-mãe, vive entre LA (nos Estados-Unidos) e Montpellier (no Sul de França). Descobriu os Moinhos Velhos na net. Silvia é espanhola, olhos imensos, pele magnífica, hospedeira há 17 anos. Descobriu este lugar pesquisando por "yoga". Kathryn, bonita, alta, tem uma agência de viagem em Londres. Diz que "há anos que organizo viagens maravilhosas para os outros. Agora é a minha vez!" As outras são irlandesas, Yvone tem um salão de beleza perto de Dublin. A sua alegria enche a sala. Dierdre, a sua melhor amiga tem uma loja de decoração. Pensava que vinha para um spa. Descobriu que incluía jejum quando estava para embarcar. É pequena, morena, de olhos intensamente azuis.
A rotina está organizada ao som de sinos. Levantar ás 7h. Depois chá de limão, a seguir, yoga e meditação. Ás 10h sumo de laranja, ás 13h sumos de fruta, e ás 16h, idem, mas menos quantidade. À noite, caldo de legumes. Terapias complementam esta desintoxicação e purificação de "corpo, alma e espírito", como se lê no dossier que está no quarto. O caldo, os sumos, as ervas, os tratamentos holísticos, a meditação e a yoga, neste ambiente de enorme beleza e serenidade, complementam o pacote. O resultado será uma limpeza drástica dos intestinos, dando espaço e tempo ao corpo para se curar a si mesmo. Para isto, uma ajuda indespensável: duas vezes por dia, clysmatic, de que tivemos uma prévia demonstração... E a todas as refeições um mantra - Om Namasivaya - e uma oração agradecendo os sumos... E o dia corre assim, com consultas (medicina tradicional chinesa, ayurvédica, quinesiologia, reflexologia, terapia sacrocraniana), massagens, reiki, aquadetox, etc. Esperam-se reacções, dores de cabeça, sensação de calor, durante alguns minutos após os suplementos alimentares, á medida que o corpo liberta toxinas. Depois, garantem-nos, a nossa pele vai ficar fantástica, a tensão arterial regularizada, os sonos também. Alguns perdem muito peso, outros nem tanto, muitos deixam de fumar definitivamente e ficam hábitos que permitem prosseguir uma rotina muito saudável em casa. Grande percentagem de clientes volta todos os anos.
Ao fim da tarde, caí na cama e só acordei ás 8h da noite, quando Silvia aparece porque faltei ao caldo da noite. "Estás bem? Queres que te traga a sopa aqui?" São sete e meia e estou morta de sono. Aceito. Um quarto de hora depois, estou de novo a dormir e só acordei no dia seguinte, ao som do sino das 10h.
3º Dia
Acordo com a sensação de ter passado para outra dimensão. Perdi o yoga e a meditação. Dormi catorze horas seguidas. Não tenho fome nenhuma. Ás 10 horas da manhã, bebo o sumo de laranja, e ás 11, tenho uma consulta com a Trixie, a terapeuta sacrocraniana. Entre uma coisa e outra, aprendemos todas a lavar o nariz. No jardim, diante do templo, seis cabeças curvam-se de um lado para o outro, e seis bocas tossem, seis caras fazem caretas, seis narizes assoam-se ruidosamente e outra vez. Tenho a sensação de que a água salgada me passeia pelo cérebro, das narinas, aos ouvidos. Karuna diz que quando apanharmos o jeito, não custa nada e vai tornar-se um hábito regular, como lavar os dentes e a língua, evitando-nos uma série de problemas no aparelho respiratório.
Á tarde fomos dar um pesseio. Leith, Kathryn, Silvia e eu. Twiggi, a cadela, acompanha-nos. Vamos até á Barragem, descemos até ao leito do rio, subimos o monte, e voltamos a Moinhos Velhos. Mais tarde, vamos conhecer Bhanu, que dá, no templo, um workshop sobre fobias. Algumas confessam os seus medos nesses campos. Cobras, aranhas, agulhas. Ela apresenta Emotional Kinesiology, uma prática interessantíssima, e é conhecida em vários países, viajando muitíssimo, dando palestras, organizando seminários, promovendo ciclos de terapia. Vive, com o marido e a filha, na Noroega. Ao jantar, falamos desta estranha sensação de estarmos num reality show. Conversamos horas com pessoas que mal conhecemos como se fossemos amigos de anos e anos. Em todo o caso, a forma como este projecto se concretizou na vida de cada uma torna a conversa hilariante.
4º Dia
Nunca tenho fome. Às vezes sinto-me com pouca energia, mas isso já vem dos últimos anos. Andamos sempre de um lado para o outro. Os quartos ficam no fundo do vale, a clínica a meio e a sala de refeições acima. A paisagem é belíssima, o jardim maravilhoso. No alto, é a casa do Frank, e ligeiramente mais abaixo a de Anne Karine, que chegará pouco depois do fim do nosso programa. Estamos sempre ocupadas. Meditação e yoga, consultas, massagens e terapias todos os dias, num pacote impressionante de terapias alternativas. Padma, a médica ayurvédica, aparece á minha procura: tinha passado a hora da nossa consulta e esqueci-me por completo, deitada ao sol. Parece verão... e não sou a única. Padma fez-me montes de perguntas para determinar o meu tipo físico e prescrever a alimentação que me convém. À tarde, comprei livros e tive massagem com Leith. Que mãos poderosas, as deste homem!
5º Dia
O Yoga, hoje de manhã, correu muito bem. Não me consigo sentar na posição de lótus, mas há outras coisas que já vou fazendo, sem as articulações resmungarem demasiado. A meditação também já não é tão estranha. Hoje, quando me pesei, tive a grata surpresa de verificar que tinha perdido três quilos. A seguir aos sumos das 10h, tive massagem Thai com a Lalita. A técnica é muito suave, quase não se sentem as mãos. De repente, começei a chorar. Chorei, chorei, chorei. Nem sabia que ainda doía tanto. Onde foi que as mãos da Lalita abriram a porta da cave onde guardamos a saudade?
Finalmente, ao cair da tarde, Peter Hall (médico de Medicina Tradicional Chinesa) deu-nos uma palestra fascinante sobre a função digestiva, medicinas alternativas e, concretamente, sobre Medicina Tradicional Chinesa. "Na China, o médico é pago para manter as pessoas saudáveis e não recebe nada quando elas adoecem, devendo segui-las até voltarem a estar bem." Peter esteve várias vezes na China, onde estagiou em hospitais, e é professor no Reino Unido. Amanhã a aula da manhã é com ele, meditação Zen e Chi Kung. Em todos o caso, hoje propõe-nos alguns exercícios muito básicos para termos a percepção do Chi, a nossa energia vital. À noite, vimos o filme do momento, The Secret. É um compacto de milagres, bastante prático, com exemplos muito materialistas. Mas não vemos o filme todo porque adormecemos nos sofás. O resto fica para um destes dias. Domingo é lua cheia e Oshun propõe-se a fazer uma Sweat Lodge, se quisermos aderir. "It's a native american ceremony" (uma cerimónia nativo-americana) para assinalar o momento.
6º Dia
Tive um pesadelo, mas esqueci-me de o escrever. Sinto-me extremamente cansada. Apetece-me estar sozinha. O meu corpo pesa toneladas e as articulações, no yoga, ora parecem estar a reconhecer o padrão da mobilidade, ora resmungam, como se estivesse presa com correntes aos meus próprios ossos. Impaciência é o termo que me ocorre. Ao fim da tarde, fui dar um passeio com a Silvia ao lago da Barragem. Lugar lindíssimo. Silvia diz-me "Este detox está cada vez mais o Gran Hermano! Sabes que Deirdre e Yvone se vão embora na segunda-feira?" Ao jantar a sopa começa a ser a minha refeição preferida. Cá fora o céu está límpido, vêm-se estrelas formando as constelações, a lua está praticamente cheia e gloriosíssima.
7º Dia
Hoje o yoga correu muito bem e o meu corpo já se molda melhor a estas posições estranhas. Sinto músculos que nem sabia que tinha, ouço orgãos normalmente silenciosos. As minhas articulações estalam, rangem, suspiram. Mas, ao contrário de ontem, já não parece impossível adaptar o meu corpo a estas formas e conjugar a respiração com elas. Há sete dias que jejuamos, mas não tenho fome. No intanto, e inesperadamente, a memória olfactiva de um Bacalhau á Braz veio-me á cabeça. Estranho... nem consta nos meus top 10. Entretanto, hoje toda a gente vai a Lagos. "Passear, ver montras e comprar coisas! Uauuu!" Oshun põe um vestido branco e solta o cabelo, Deirdre e Yvone usam makeup e lipgloss. Eu prefiro ficar. A Silvia também, tem que acabar o tratamento com o Frank. Fui pesar-me e já perdi 4 quilos!! Oshun, oito. Yvone, cinco! Todas as caras estão mais magras, todas as peles estão resplandecentes, todos os corpos bem mais desenhados. Hoje, há um eclipse total ás 22h30, mas, infelizmente, nessa altura, já estou a dormir a sono solto.
8º Dia
Leith começa a trabalhar por volta das 11h, limpando o terreno de ervas e pedras, nivelando o chão. Às 18h junto-me ao pequeno grupo. Já há uma estrutura em bambu a ser erguida. Uma grande fogueira está acesa desde as 14h, com as pedras da cerimónia a aquecer para logo á noite. À medida que a noite cai, ensaio uma desculpa dez vezes. Estou cansada, há imensas transformações subliminares a acontecerem no meu corpo, outras, não tanto (perdi visivelmente peso) e quero dormir sobre tudo isto. Mas, por outro lado... A Lua, magnífica, ergue-se sobre os montes. Escrevemos intenções e desejos em papéis que, dobrados, ficam no altar, ao lado da Sweat Lodge. Cerca das 21h, vamos trocar de roupa (nada que prenda os movimentos e nenhuma roupa interior). Cá fora uma breve cerimónia em volta da fogueira, posto o que entramos, segundo as indicações de Oshun. Leith traz as primeiras pedras para dentro da tenda. O calor sobe do chão e envolve-nos. Finalmente, ele deixa cair as mantas que tapam a entrada e ficamos mergulhadas numa escuridão total, opressíva, a respirar um ar quentíssimo. Estendo-me no chão, que sob as mantas, está frio e húmido. Sinto o coração a bater com muita força e respiro fundo várias vezes. Oshun pergunta se estamos bem, se alguém quer sair, e não tenho coragem de dizer "Eu!". Até porque outra parte de mim quer intensamente participar desta experiência única. Ela espalha óleos perfumados sobre as pedras e lança-lhes água por cima. Uma nuvem de vapor densíssimo e perfumado envolve-nos. Oshun refere as propriedades terapêuticas e mágicas deste ritual, conta-nos lendas, mitos fundadores e estimula um diálogo que não consigo reproduzir em meia dúzia de linhas. A cortina ergue-se e volta a cair quatro vezes, momento em que Leith traz mais pedras. O calor é intensíssimo e suamos copiosamente. Sem darmos por isso, estamos a seguir os cânticos como se conhecêssemos aquelas palavras estranhas. Oshun é descendente de índios Lakota, com uma mistura de negros da Costa do Marfim e umas avós Irlandesas. Esta tarde soubemos que o que a trouxe á Europa, e o que a leva a viver em Montpellier é exactamente o facto de ser sacerdotisa de cultos femininos e integrar o mais alto escalão da hiérarquia, uma ordem gnóstica. Quando o calor se torna demasiado intenso, deitamos-nos no chão. Sinto, sentimos, a energia radiante que nos cerca, preenche e nos leva docemente a entrar no ritmo, agitando maracas, cantando. No fim, Lalita sugere uma oração especial para encerrar a cerimónia: "Aqui, em Portugal e em Espanha, temos um amor particular á Virgem..." Oshun responde das sombras: "Em Montpellier rezamos o Rosário." Quando as nossas vozes se erguem, Ave Maria é rezada, simultaneamente em português, castelhano, francês e inglês. Ao meu lado, na escuridão, Lalita chora baixinho, e eu sinto que as lágrimas me caem pela cara abaixo. Finalmente na fogueira, cá fora, queimamos as orações e os pedidos de todas sob um luar esplenderoso.
9º Dia
Acordei mais cedo do que o sino, cheia de energia e com imagens fortíssimas da cerimónia. As pedras rubras que o Leith tira da fogueira e traz para dentro da tenda. A água da fonte que Oshun aspergiu sobre elas. As sessões, as orações, os cânticos, os mantras, o som das maracas, o aroma dos óleos essenciais lançados sobre as pedras a arder. Na mesa das refeições encontramos um postal de despedida de Yvone e Deirdre. A casa parece vazia sem elas. À tarde faço um aquadetox com Lalita e fico a ver a água onde os meus pés estão mergulhados tingir-se de castanho escuro com espuma. Aparentemente, metais pesados que tenho no corpo, são drenados para aí. Whatever. Ao fim da tarde o Frank junta-se a nós e ficamos horas a ouvi-lo. A vida deste homem não dava só um livro. Dava vários! É um ser cheio de luz e um sentido de humor divino. Diz que, ontem, ao ouvir os cânticos, na sua casa, no alto do monte, esteve quase para descer e vir juntar-se a nós. Depois, achou que não seria apropriado.
10º Dia
Sonhei com um jardim lindíssimo onde estão muitos ovos. Acho que é um excelente presságio. Também com todas estas conversas sobre milagres e a possibilidade de eles se concretizarem... Bem como as experiências distintas que quer Frank quer Peter, o pragmático médico que se diz "não espiritual" mas segue a via práctica do budismo Zen, nos têm vindo a dar sobre alimentação e saúde, com exemplos de vida, é difícil não acreditar em milagres e magias. Hoje, ao jantar, Peter vem falar-nos sobre pontos de acumpuntura importantes e dá-nos algumas receitas interessantes - um detox para o fígado em doze horas com uma decocção de dente-de-leão.
11º Dia
Hoje tive uma consulta extraordinária com o Frank. Chama-se Introspect 11, é um projecto russo incrível, baseado em pressupostos quânticos, um conceito que lida com biofeedback, "scanando" o corpo desde o ADN à célula, das entranhas ao cérebro, dos ossos ao tecido epitelial. Uma luz infravermelha (invisível a olho nú) aponta a região na testa e lê os orgãos, comparando-os com orgãos perfeitos e ilustrando a sua condição numa escala de 1 a 6. Frank passou uns meses a aprender a utilizá-lo, em Moscovo. A médica que o treinou contou-lhe que já tratou milhares de pacientes desta forma. Ele também utiliza o Quantum, técnica igualmente desenvolvida na União Soviética, e que foi utilizado com os astronautas para corrigir as deficiências orgânicas deles por computador, à distância. É tudo muito místico (como a própria Mecânica Quântica) mas... está nos hospitais convencionais russos. Visualizamos no ecrã do computador, os meus coração, pulmões, olhos, e Frank introduz algumas correcções, mas, aparentemente, o meu estado geral é bastante satisfatório. O meu pâncreas é que não está tão bem. Vários quadrados negros assinalam os pontos frágeis. Começa o tratamento e a maior parte deles retoma a cor imediatamente abaixo e muitos decaem até ao amarelo (excelente) ou laranja (bom). Sentada diante do ecrã, com auscultadores e sem poder traçar as pernas, acabo por me rir. "Frank, isto é magia!" Ele concorda inteiramente. Ainda estamos a visualizar outros orgãos quando sinto uma sensação estranhíssima. A minha barriga inchada desapareceu. Assim e sem mais nem menos.
12º Dia
Hoje é Dia da Mulher e fim do jejum. O pequeno-almoço com fruta fresca, ananás, morangos, mangas, kiwis, maçã cozida com canela, e quinoa, o cereal dos astecas, é delicioso porque o detox foi tão profundo que nos abre todos os sentidos intensamente. Como duas garfadas e três colheradas, e sinto-me "empanturrada". Ao almoço, uma salada de legumes fresquíssimos com molho de azeite, um pouquinho de vinagre e mel. Parece maionese.
13º Dia
Levantei-me e apeteceu-me preguiçar. Tomei duche, lavei a cabeça, sequei o cabelo e ainda fui a tempo de apanhar a última parte da aula e a meditação. À tarde, sessão de Cama de Cristal. Um aparelho com seis braços que terminam em extremidades de cristal de quartzo facetado aponta-nos para os locais onde a tradição oriental dizem estarem situados os chakras. Astrid Bjerne, uma das terapeutas dos Moinhos Velhos, esteve meses no Brasil e comprou, na casa de Dom Inácio, em Abadiana, o Centro Espiritual onde João de Deus fez curas que o tornaram famoso em todo o mundo. Este aparelho só é vendido a quem os espíritos guias do Centro avalizam. Parece que há muitas outras, mas nenhuma chega aos níveis desta, desenhada sobre orientação espiritual, diz Astrid, que acrescenta "Somos energia pura, o corpo é o invólucro. Harmonizando os chakras, o resto equilibra-se." Não é preciso fazer nada. Só ficar deitada, de olhos vendados. Toda a gente tem sensações diferentes. Algumas muito intensas. Mas também há quem durma profundamente. Pergunto a mim própria: "Como é que vou contar estas coisas sem pensarem que estou a delirar?"
14º Dia
Hoje, Oshun e Kathryn foram-se embora. Ficámos eu e a Silvia, de modo que fomos almoçar e passear a Lagos, com Peter, e á noite, fomos todos jantar (a Lagos) com Frank, Peter, Lalita e Shakti. Peixe assado, divinamente, num restaurante fora do circuito turístico. Foi hilariante porque resolvemos cantar o mantra e dizer a oração, como nos Moinhos Velhos, terminando com o inevitável "Blessings on the dinner!" Tornámo-nos o centro das atenções...
15º Dia
De volta a casa, penso em como vou conseguir pôr em palavras estas duas semanas de experiências indizíveis? Uma evidência: perdi quase seis quilos e a minha tensão arterial voltou aos parâmetros normais. Sinto uma energia que não sentia há muito tempo. O Dirk diz que a minha pele está radiosa e que eu perdi montes de peso. Eu sinto-me mais ou menos a levitar.
Um segredo bem guardado...
Em meados dos anos 80, Frank e Anasuya, noroegueses e cidadãos do mundo, chegaram ao Algarve e encontraram, perto da Barragem da Bravura, o lugar que tinham procurado durante anos. Não foi por acaso. Com uma vida espiritual intensa e muito ligada a práticas orientais, como yoga e terapias alternativas, procuravam o sítio perfeito para partilharem os seus conhecimentos e iniciarem o projecto Moinhos Velhos. E ali estavam aqueles esplenderosos 16 hectares de beleza selvagem, um amontoado de silvas, onde espreitava uma casa pequena. O coração dizia "sim", a cabeça recusava a tarefa hercúlea e ruinosa. Mas... a água e o ar eram puríssimos, e Frank e Anasuya sentiram que tinham chegado ao lugar menos poluído de toda a Europa. Em finais de 99 Moinhos Velhos começava a ser uma referência internacional, em mensagem boca a boca. O programa de jejum, com sumos e caldos, clysmatic (limpeza diária dos intestinos), a prática de yoga, a piscina de água salgada e a sauna filandesa, a biblioteca, com uma agradável colecção de videos, tudo se conjugava para que os resultados fossem e continuassem a ser "espantosoa". Hoje, o Centro é conhecido internacionalmente e o Livro de Hóspedes regista testemunhos impressionantes de quem por ali passou. Em Portugal, ainda é um segredo bem guardado... embora alguns portugueses por lá tenham já passado. Frank diz:"Eu queria fazer o melhor centro detox do mundo." Quem já passou por muitos outros, diz:"Ele conseguiu."
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